A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Ultimato, em Marabá, no sudeste do Pará, e apreendeu um adolescente de 15 anos investigado por maus-tratos e morte de gatos. Conforme as investigações, os crimes eram transmitidos ao vivo por plataformas digitais, como Telegram, Discord e ambientes da chamada dark web. O caso ganhou repercussão após denúncias que circularam nas redes sociais. Durante as investigações, o adolescente confessou ter matado três gatos e relatou à polícia que utilizava métodos violentos contra os animais. Segundo a Polícia Civil, os atos ocorreram entre janeiro e abril de 2026. De acordo com as apurações, o adolescente utilizava o pseudônimo “Dylan” no ambiente virtual e participava de um grupo fechado no Telegram denominado “SSK”. Nesse espaço, ele receberia pagamentos de integrantes para praticar e transmitir os crimes contra os animais em tempo real. O delegado Walter Ruiz informou que a materialidade dos atos infracionais foi confirmada. Além dos episódios mais recentes, o adolescente também teria admitido envolvimento em outros casos semelhantes, totalizando três ocorrências confessadas. A Polícia Civil informou que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncias divulgadas nas redes sociais. Durante as investigações, as autoridades identificaram ainda elementos que apontam para um histórico de outros atos infracionais praticados pelo adolescente, incluindo ameaças e supostos planos relacionados a ataques em unidades de ensino da região. Diante dos elementos reunidos no inquérito, o Juizado da Infância e da Juventude deferiu o pedido de internação provisória do adolescente. A medida foi cumprida durante a Operação Ultimato. O caso é tratado como ato infracional análogo ao crime de maus-tratos a animais com resultado morte. Por se tratar de um adolescente, o investigado está sujeito às medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A conduta tem como base a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). O artigo 32 da legislação criminaliza a prática de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação de animais. Quando o crime envolve cães ou gatos, a pena prevista é de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda de animais. Nos casos em que ocorre a morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço. Esses parâmetros servem de referência para a aplicação das medidas socioeducativas pela Justiça da Infância e da Juventude. Investigação busca identificar financiadores As investigações continuam para identificar outras pessoas que participavam do grupo virtual e que, segundo a Polícia Civil, financiavam, incentivavam ou orientavam a prática dos crimes. Os investigadores também trabalham na extração e análise dos dados armazenados no celular apreendido durante a operação. A expectativa é que o material ajude a esclarecer a dinâmica dos fatos e a identificar eventuais envolvidos que atuavam por meio das plataformas digitais utilizadas pelo grupo. Informações falsas causaram ameaças a adolescente inocente Paralelamente às investigações, a disseminação de informações falsas nas redes sociais provocou outro desdobramento do caso. Um segundo adolescente teve o nome e a fotografia divulgados indevidamente como se fosse o responsável pelos crimes, mas a Polícia Civil descartou completamente qualquer envolvimento dele. A família do jovem registrou um boletim de ocorrência após receber ameaças e intimidações. “O pessoal puxou os dados da família dele, estão entrando em contato, ameaçando, fazendo o maior escândalo com a família”, afirmou a delegada Simone Felinto, diretora da Seccional de Polícia Civil. Diante da situação, as autoridades reforçam a importância de aguardar a conclusão das investigações e evitar julgamentos precipitados nas redes sociais. Segundo a polícia, a divulgação de boatos e a exposição indevida de pessoas sem comprovação dos fatos podem colocar em risco a integridade física e psicológica de terceiros.