Empresas de todos os portes convivem, cada vez mais, com profissionais de diferentes gerações dividindo o mesmo ambiente de trabalho. Da experiência dos trabalhadores mais maduros à familiaridade dos mais jovens com a tecnologia, o desafio das organizações é transformar essas diferenças em uma vantagem competitiva. Especialistas defendem que o equilíbrio entre conhecimento, inovação e respeito é o caminho para equipes mais produtivas e saudáveis. Segundo a pesquisadora e consultora empresarial Silvia Pires, atualmente convivem nas empresas profissionais de diferentes gerações, como os Baby Boomers, a geração X, os Millennials (geração Y) e a geração Z, cada uma com características, expectativas e formas distintas de enxergar o trabalho. VEJA MAIS Geração Z busca relações autênticas e sem pressão, aponta pesquisa Levantamento mostra que jovens valorizam conexão emocional, confiança e respeito aos próprios limites na construção de vínculos afetivos Geração Z mantém hábito de consumir no comércio de rua de Belém Consumidores preferem o varejo de rua pela praticidade de avaliar a qualidade e evitar a espera de entregas virtuais Para ela, o principal desafio das empresas é promover a integração entre esses perfis. “As pessoas mais experientes carregam conhecimento acumulado ao longo da carreira, enquanto os mais jovens têm facilidade com a tecnologia, rapidez para aprender e uma visão mais voltada para a inovação. Quando existe respeito entre as gerações, todos ganham”, afirma. Silvia destaca que os conflitos mais comuns não estão relacionados à idade em si, mas ao comportamento humano. Segundo ela, dificuldades de comunicação, resistência às diferenças e falta de autoconhecimento estão entre os fatores que mais comprometem as relações dentro das organizações. Silvia Pires: "Sem autoconhecimento, fica mais difícil compreender o outro e construir relações saudáveis" (Hamilton Braga / Especial para O Liberal) “Hoje, o maior desafio das empresas continua sendo lidar com pessoas. A capacidade técnica é importante, mas o comportamento faz toda a diferença. Sem autoconhecimento, fica mais difícil compreender o outro e construir relações saudáveis no ambiente de trabalho”, explica. A especialista ressalta que as empresas devem conhecer o perfil de seus colaboradores para desenvolver políticas de gestão mais eficientes. Estudos internos de clima organizacional ajudam a identificar diferenças relacionadas à idade, gênero, diversidade e inclusão, permitindo a criação de estratégias voltadas para cada realidade. Ela observa que a geração Z, por exemplo, busca mais do que remuneração. Questões como saúde mental, propósito, oportunidades de crescimento, autonomia e qualidade de vida têm peso significativo na decisão de permanecer ou não em uma empresa. “Essa geração valoriza ambientes que respeitem seu bem-estar e ofereçam perspectivas de desenvolvimento. O plano de carreira, o aprendizado contínuo e a valorização profissional são fatores que influenciam diretamente na retenção desses talentos”, afirma. Outro fenômeno destacado por Silvia é a mudança no perfil dos profissionais acima dos 50 anos. Com o aumento da expectativa de vida e os avanços da ciência e da tecnologia, trabalhadores mais maduros permanecem ativos por mais tempo e continuam investindo em capacitação. Ela acredita que a adaptação constante é uma das principais competências exigidas pelo mercado atual. “Vivemos em um mundo de transformações rápidas. Quem desenvolve adaptabilidade sofre menos diante das mudanças e consegue acompanhar as novas demandas do mercado”, observa. Critividade humana se destaca em mundo com IA Apesar da crescente presença da tecnologia e da inteligência artificial, Silvia ressalta que a criatividade continua sendo uma característica essencialmente humana. Segundo ela, empresas de grande porte investem cada vez mais em programas de inovação e desenvolvimento justamente para estimular ideias e soluções criativas entre seus colaboradores. Ao mesmo tempo, ela alerta que a tecnologia, sozinha, não substitui a experiência. Em alguns casos, organizações que apostaram apenas em equipes muito jovens precisaram rever suas estratégias ao perceber a importância da maturidade na tomada de decisões. Para a pesquisadora, o futuro das empresas passa pelo investimento contínuo em pessoas. Ela defende que líderes e executivos também precisam desenvolver competências comportamentais, além do conhecimento técnico. “O papel da liderança é criar um ambiente de aprendizado, incentivar o desenvolvimento das pessoas e valorizar o potencial de cada colaborador. Quando a empresa investe no crescimento dos profissionais, fortalece sua cultura, aumenta a motivação das equipes e constrói uma organização mais sustentável”, conclui.