Um dos mitos do mundo do esporte é em relação ao efeito da prática da atividade física em jejum. De forma mais específica, o chamado "cardio" é a variação que mais chama a atenção para este "estilo" de atividade, que vem ganhando cada vez mais adeptos. Cientificamente, não há indícios de estudos que validem o treino em jejum como positivo para um processo mais rápido de emagrecimento, por exemplo. No entanto, esse efeito pode variar de acordo com cada organismo, como destaca a nutricionista Débora Melo. "É muito relativo (o efeito de praticar atividade física em jejum). Depende de pessoa para pessoa. Não é porque o amigo corre em jejum e conseguiu perder peso mais rápido ou ele come uma banana e já resolve o caso, que vai funcionar para mim. Cada um tem uma maneira de estocar glicogênio e ver como funciona durante a prova", ponderou Débora em entrevista ao videocast de O Liberal. No próximo dia 25 de julho, Salinas recebe a 17ª edição da Corrida do Sal. No retorno ao calendário do esporte de rua do Norte do Brasil, o evento traz uma novidade: percursos de 3 e 7km. Inovação para atender os mais variados públicos da corrida de rua. A estimativa da organização é ter mais de três mil corredores no percurso montado na orla da praia do Maçarico. Troféu da 17ª edição da Corrida do Sal que será entregue aos campeões. (Foto: Igor Mota/O Liberal) E nestas semanas que antecedem a competição, olhar de forma mais atenta à alimentação passa a ser fundamental. Entender o próprio organismo tem reflexo no desempenho durante uma atividade física que requer um esforço extra, como a corrida de rua. Débora Melo ressalta a necessidade de seguir as orientações dos especialistas ao invés de decidir por conta própria o plano alimentar para antes, durante e depois da atividade. "Procura um nutricionista, um educador físico, vamos começar a fazer planilhas e ver como o corpo responde melhor. 'Estou me sentindo mal e acho que o meu rendimento cai no treino', então vamos fazer um pré-treino. Mas não é qualquer pré-treino. De repente, faltam 15 minutos e vou comer um pão com ovo. Não é assim. Você tem que ter uma reserva de carboidrato", orienta. "As pessoas criam uma aversão ao carboidrato, principalmente quem quer perder peso. Reduzem o carboidrato. Só que ele é o principal alimento de fonte de energia. Precisamos ter uma boa reserva de glicogênio. Será que consigo correr em jejum? Depende. Se você fez uma reserva de carboidrato, de glicogênio no dia anterior, você não precisa comer nada antes da prova", completou. Pode, mas depende O pré corrida também é outro ponto de atenção, conforme relata Débora Melo. Segundo a nutricionista, a ingestão de massas pode trazer resultados positivos e/ou negativos para os adeptos da corrida de rua. De forma clara, ela cita a necessidade em "fazer uma reserva" de energia antes da prova. Porém, isso não deve acontecer de véspera e nem com qualquer tipo de alimento rico em carboidrato, mas sim de forma planejada para chegar com "estoque" no dia da competição. "Depende muito (de pessoa para pessoa e do alimento), porque pizza, por exemplo, tem queijo e gordura. Às vezes a pessoa não dorme bem quando faz uma alimentação assim. Tem que fazer uma reserva (de energia) e não é no dia anterior. Tem que ser pelo menos quatro ou três dias antes, até para se adaptar. Imagina uma pessoa que não é tão acostumada a jantar e de repente tem que comer um prato de macarrão. E às vezes com molho e azeite, com uma gordura extra. Pode passar mal", alerta. [youtube=IoODkRUsnFw] Débora Melo aponta ainda para uma segunda "regra": evitar a mudança da rotina de alimentação. A recomendação é seguir o que vem sendo feito e não "inventar" na véspera ou no dia da corrida. "Principalmente quanto a suplementação também. Nunca faça nada no dia anterior e no dia da prova que você não tenha ensaiado, testado". Já em relação a dieta, ela ressalta as diferenças de acordo com o tipo de percurso que será feito durante a corrida. "Existe diferença nas dietas. Se a pessoa faz só a prática da corrida, usamos alguns estímulos diferentes que vão precisar de um glicogênio maior, dependendo do tipo de quilometragem na corrida. Se ela já faz, que é o ideal, musculação para reforçar e mais a corrida, é outro tipo de planejamento alimentar". Motivação extra 43% dos brasileiros praticam atividade física por estética e saúde em geral. Os dados, divulgados na pesquisa "Adequa Brasil: reflexões da atividade física em nosso país", mostram uma preocupação cada vez maior da população com o bem-estar, fato que norteia a escolha de práticas como a da corrida de rua, atividade que costuma exigir mais do organismo e, consequentemente, traz uma "queima" maior de gordura. "As pessoas têm um motivo para começar a correr. 'Comecei porque quero emagrecer', 'ter um convívio social melhor', 'conhecer mais pessoas'. Mas a questão do emagrecer nada mais é do que ganhar massa magra e perder gordura", explicou Débora Melo. Porém, isso chama a atenção para outro potencial problema: escolher uma atividade como a corrida de rua pode ajudar na mesma medida em que prejudica. Videocast de O Liberal abordou a 14ª edição da Corrida do Sal. (Foto: Thiago Gomes/O Liberal) De acordo com a nutricionista Débora Melo, o ato de iniciar a prática da corrida como atividade física com foco no emagrecimento, requer também uma atenção com a musculatura em geral. Ela alerta para a importância em ter um reforço muscular adequado para evitar os impactos do emagrecimento. "As pessoas que começam a correr com a intenção somente de perder peso, por vezes perdem muita qualidade muscular. A corrida é interessante, mas precisa ter por trás toda uma questão de treinos, tanto para o reforço muscular quanto para não acontecer o catabolismo", finalizou. A Corrida do Sal tem a realização do Grupo Liberal, com uma cobertura especial que envolve todos os veículos de comunicação, com vários profissionais comprometidos em divulgar as notícias do evento. O projeto tem patrocínio do Atacadão - Lugar de Comprar Barato e GAV Resorts.