Em um Pará vasto e diverso, a estratégia do Grupo Liberal de dar voz às realidades específicas do interior se consolida através de seus jornais regionais em Ananindeua, Barcarena, Castanhal e Marabá. A missão de coordenar a produção dessas quatro publicações quinzenais recai sobre o experiente chefe de reportagem Jorge Ferreira, um jornalista com 45 anos de dedicação à empresa. Jorge Ferreira, que já comandou redações em tempos com menos recursos, destaca que a estrutura atual, com núcleos de apoio em cada município, facilitou a complexa gestão. "Comecei num tempo que não tinha as facilidades de hoje. Agora, cada um está ‘no seu quadrado’, o núcleo cuida do repórter, do fotógrafo, de tudo", explica Ferreira. O chefe de reportagem dos regionais, Jorge Ferreira, possui mais de 40 anos de experiência no Grupo Liberal (Ivan Duarte / O Liberal) Com um repórter fixo em cada município, a dinâmica se baseia em reuniões semanais para definir a pauta, seguindo as diretrizes do jornal. "Batemos um papo, vemos o que tem, o que não tem, o que pode, o que não pode. A gente escolhe e monta uma pauta", detalha. Conteúdo local: 90% do foco A diretriz principal dos jornais regionais é clara: o conteúdo tem que ser majoritariamente local. Ferreira enfatiza que, apesar de saírem encartados com O Liberal, as publicações são independentes e voltadas para o leitor de cada cidade. "A gente faz um jornal para o leitor daquele interior, para mostrar a cidade dele, para ele saber o que está acontecendo lá. O foco é o município, pelo menos 90%. Se puder dar 100% do município, vai. A prioridade é deles", afirma. Pelo menos 90% do conteúdo dos jornais regionais deve retratar os municípios onde circulam, diz Ferreira (Ivan Duarte / O Liberal) A escolha dos temas reflete um olhar atento à vida da comunidade. O jornalismo regional prioriza Cultura, Cidades, Política e Empreendedorismo, optando por uma cobertura que valorize os aspectos positivos da vida local. "Não damos nada de polícia porque não é positivo", afirma o chefe de reportagem, focando na elevação da autoestima comunitária. Além das pautas locais, cada edição reserva espaço para curiosidades e colunas que geram engajamento. Paixão que não aposenta Jornalista por destino, Jorge Ferreira iniciou sua trajetória como revisor e, por insistência de um diretor, assumiu a reportagem, descobrindo uma vocação que o acompanha por 45 anos. Ele define o jornalismo como um vício que agarra o profissional: "Jornalismo é uma coisa que te pega e nunca mais te larga. Tenho um amigo que dizia: 'Jornalista não se aposenta, jovem. Jornalista morre jornalista'. Tu não consegues te desligar. Tu estás na rua e vê uma notícia, já quer mandar. Para mim, jornalista é 24 horas no ar", conclui.